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Crianças neurodivergentes precisam de atenção redobrada na volta à rotina escolar

30 de Julho de 2025 – Estudantes da Rede Municipal de Ensino voltam às aulas a partir desta terça-feira (5 de agosto), e o que, para muitas crianças, é um momento de excitação e recomeço pode, para meninos e meninas neurodivergentes, gerar desconforto, crises e dificuldade de adaptação. É o que alerta a psicopedagoga Adriana Lago, que atua no Centro TEA/NDI da Unidade Pública de Atendimento Especializado Dr. Cyro de Andrade Lima (UPA-E Mustardinha), unidade vinculada à Secretaria de Saúde do Recife (SESAU).

“A volta às aulas é sempre um momento de recomeço, de novidades e excitação, mas também pode trazer ansiedade e insegurança para as crianças, especialmente para as neurodivergentes, pois, para elas, sair da rotina estabelecida durante as férias pode ser desafiador — já que mudanças repentinas e ambientes diferentes afetam diretamente seu bem-estar emocional e sensorial”, explica a psicopedagoga Adriana Lago.

A quebra da rotina e a mudança repentina de ambiente, comuns nesse período, em que as crianças deixam de ir à escola e ficam em casa ou na casa de parentes, podem causar bastante desconforto e crises. Por isso, é fundamental que famílias e escolas se preparem com antecedência e adotem estratégias de acolhimento personalizadas.

“Cada criança neurodivergente é única. O que funciona para uma pode não funcionar para outra. Por isso, o mais importante é manter o diálogo aberto entre escola, família e profissionais de apoio. Com sensibilidade e planejamento, é possível transformar esse momento de transição em uma oportunidade de crescimento, autonomia e confiança”, informa Adriana.

Confira abaixo algumas dicas para tornar o retorno às aulas um pouco mais fácil:

1. Reestabeleça a rotina com antecedência
Comece a ajustar os horários de sono, alimentação e outras atividades alguns dias antes do início das aulas. Isso ajuda o cérebro da criança a se adaptar gradualmente ao novo ritmo.

2. Use recursos visuais e previsíveis
Quadros de rotina, calendários visuais e histórias sociais (sequências de imagens que mostram o que vai acontecer) ajudam a preparar a criança para o que ela encontrará no ambiente escolar.

3. Faça uma visita prévia à escola
Se possível, leve a criança para rever o espaço físico da escola, conhecer ou reencontrar os professores e visitar a sala de aula. Isso ajuda a diminuir a ansiedade causada pelo desconhecido.

4. Converse com a equipe escolar
Compartilhe informações importantes sobre a criança: seus interesses, sensibilidades, estratégias que funcionam em casa e sinais de sobrecarga. Quanto mais a equipe escolar souber, melhor poderá acolher.

5. Dê tempo para adaptação
Evite pressionar a criança a se ajustar rapidamente. Cada uma tem seu tempo. Respeitar esse processo é essencial para evitar sofrimento emocional.

6. Valide os sentimentos da criança
Se ela estiver ansiosa, com medo ou insegura, acolha esses sentimentos com empatia. Frases como “Eu entendo que você está nervoso(a), estou aqui com você” fazem toda a diferença.

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