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Saúde Ocular: HCR reforça cuidados desde o nascimento
17 de Julho de 2026 – Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,2 bilhões de pessoas vivem com algum grau de deficiência visual no mundo e, desse total, pelo menos 1 bilhão delas apresentam uma condição que poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada. O dado reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, cuidados que devem começar ainda na infância.
Aderindo ao Dia da Saúde Ocular (10/7), o Hospital da Criança do Recife (HCR) Antonio Carlos Figueira chamou a atenção para a necessidade de acompanhar a saúde dos olhos desde os primeiros dias de vida. A medida contribui para o desenvolvimento infantil e aumenta as chances de identificar precocemente doenças e alterações visuais que poderiam passar despercebidos pela criança e pela família. Além disso, destaca-se o uso de telas nessa fase da vida e suas consequências.
De acordo com a oftalmologista Michelle Figueirêdo, que atua no ambulatório do Hospital da Criança do Recife, o acompanhamento da saúde ocular começa ainda no primeiro mês de vida, com a realização do teste do olhinho. O exame avalia o reflexo vermelho e verifica se as estruturas dos olhos estão transparentes, permitindo a passagem da luz para o desenvolvimento adequado da visão.
“É importante que o exame seja realizado nos primeiros 30 dias de vida para detectar de forma precoce doenças como a catarata e o glaucoma congênitos, aumentando as chances de tratamento e reduzindo o risco de comprometimento visual”, diz a especialista.
Os cuidados, no entanto, não terminam após esse primeiro exame. A recomendação é que a criança passe por uma nova avaliação oftalmológica aos seis meses e outra ao completar um ano de idade. Depois, o acompanhamento deve ser anual, mesmo quando não há sinais aparentes de alterações na visão.
Isso porque muitos problemas oculares comuns na infância evoluem de forma silenciosa. Entre eles, estão os erros refracionais, como miopia e astigmatismo, que frequentemente não são percebidos pela própria criança, já que ela nem sempre consegue identificar que enxerga mal. Outra condição frequente é o estrabismo, caracterizado pelo desalinhamento dos olhos e que costuma ser percebido pelos pais ou responsáveis.
“A falta de tratamento dos erros refracionais pode levar à falta de desenvolvimento adequado da visão. Uma criança que enxerga mal pode apresentar alterações de comportamento, como dificuldade de se socializar, de aprendizagem, de fala, pois a visão pode impedir a criança de ter boa percepção do que acontece ao redor”, afirma Figueirêdo.
Além das alterações que podem comprometer o desenvolvimento da visão, há problemas oculares transitórios que são frequentes na infância e exigem atenção. Conjuntivites, terçol e traumas nos olhos estão entre as ocorrências mais comuns e, embora muitos casos tenham boa evolução quando tratados adequadamente, a avaliação médica é fundamental para evitar complicações.
USO DE TELAS
Outro fator que exige atenção das famílias é o uso excessivo de telas. “A exposição prolongada a celulares e tablets tem sido associada ao aumento da incidência e da progressão da miopia em crianças, além de poder impactar o desenvolvimento cognitivo”, destaca a oftalmologista Michelle Figueirêdo.
A introdução de telas após os 2 anos e o controle do tempo de uso desses dispositivos ao longo da infância, além do incentivo a outras atividades, são recomendações que fazem parte dos cuidados para preservar a saúde ocular durante a infância.
Principais orientações para cuidar da saúde ocular das crianças:
•?????Realizar o teste do olhinho no primeiro mês de vida;
•?????Manter as avaliações oftalmológicas aos seis meses, com um ano de idade e, posteriormente, de forma anual;
•?????Observar sinais como desalinhamento dos olhos e episódios frequentes de inflamação ocular;
•?????Não esperar que a criança relate dificuldade para enxergar para procurar um oftalmologista;
•?????Limitar o tempo de exposição a celulares e tablets. A recomendação é no máximo 1 hora por dia dos 2 aos 5 anos; até 2 horas dos 6 aos 10 anos; e no máximo 3 horas dos 11 aos 18 anos;
•?????Em caso de trauma ou contato dos olhos com substâncias, procurar atendimento especializado imediatamente.