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Miastenia gravis: doença autoimune provoca fraqueza e pode prejudicar até a fala

Fraqueza muscular que oscila ao longo do dia ou entre dias (melhora e piora dos sintomas), fadiga extrema, mudança na expressão facial e dificuldade para falar (voz rouca e anasalada), mastigar, engolir e até respirar. Esses são alguns dos sintomas da miastenia gravis, doença neuromuscular rara, crônica e autoimune, que teve seu dia internacional de conscientização lembrado na última segunda-feira (2/6). O Hospital Pelópidas Silveira (HPS), que tem um ambulatório de referência para a enfermidade, aproveitou a data para chamar a atenção para os sintomas, diagnóstico e tratamento dessa doença.

A neurologista Renata Andrade, do ambulatório do Hospital Pelópidas Silveira (HPS), disse que a miastenia gravis ocorre quando anticorpos atacam proteínas presentes na junção neuromuscular, prejudicando na realização das conexões necessárias entre nervos e musculaturas esqueléticas. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), são diagnosticados de 5 a 30 casos novos por milhão de habitantes a cada ano. Afeta ambos os sexos, apesar da diferença da faixa etária do início dos sintomas: nas mulheres, entre 20 e 34 anos, ou seja, ainda no início da fase adulta; nos homens, entre 70 e 75 anos. 

“Os músculos dos olhos e da face são os mais acometidos inicialmente, provocando sintomas como queda de pálpebra, visão dupla, dificuldade de abrir os olhos e mudança na expressão facial resultante da fraqueza na musculatura. Também pode gerar queixas de engasgo, dificuldade para mastigação e até para respirar”, pontuou a especialista em doenças neuromusculares. 

Renata reforçou que os sintomas podem acometer qualquer músculo do corpo. “O paciente pode ter dificuldade de levantar o pescoço e os membros, dificultando atividades corriqueiras, como pentear os cabelos, se vestir, subir escada. Essa fraqueza muscular pode aumentar o risco de quedas e limitar funções e a autonomia do paciente”, frisou Andrade, que também é supervisora da residência médica em neurologia do Hospital Pelópidas Silveira. 

O diagnóstico da miastenia gravis é feito a partir da avaliação clínica, histórico do paciente e exames laboratoriais e/ou de imagem. “Exames de sangue podem direcionar para o diagnóstico da doença, a depender do tipo de autoanticorpo encontrado”, ratificou Renata.

A especialista em doenças neuromusculares comentou, ainda, que, “como os sintomas envolvem fraqueza e fadiga, muitas vezes, o paciente pode ser mal interpretado, por acharem que está com preguiça ou falta de disposição. Isso pode retardar o diagnóstico e levar a uma progressão dos sintomas. O tratamento adequado pode estabilizar a doença e até mesmo reduzir a gravidade de determinados sintomas”.  

O tratamento medicamentoso está disponível no SUS. Também é importante a atuação da equipe multidisciplinar, como da fonoaudiologia e fisioterapia. Em casos específicos, pode ser recomendada a retirada do timo, glândula do sistema imunológico com atuação ativa na fase fetal e na infância. Na vida adulta, costuma sumir, contudo, no paciente com miastenia, pode voltar a funcionar. 

“O plano terapêutico vai depender de cada caso. O importante é que haja um diagnóstico precoce para que possamos iniciar o tratamento e dar qualidade de vida ao paciente”, finalizou Renata Andrade.

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